PALAVRAS E CORESPALAVRAS E CORES

Published in: on December 23, 2006 at 2:01 pm  Comments (1)  

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Published in: on December 23, 2006 at 1:56 pm  Leave a Comment  

CÓPULA DE CAOS

no mar

               garçonetes

                      servem absinto aos camelos 
 

acasos

                       descrevem

                                                  pássaros 
 

despir Nadja

                          em silêncio 

com vestígios

                         de sêmen 

cópula de ocasos

                 beber o sal

                                       das manhãs 

línguas assaltam altares

                                  e arrancam raízes 

Published in: on December 13, 2006 at 10:21 pm  Comments (1)  

SOBRE UM POEMA

                  

um poema:

                  

                 gélida lava

                           de assombros

                         

   à cingir o vasto espaço

                           do sonho 

libélula de corais 

          no findar dos mares 
 

um poema: 

                   olho cálido  

serpentes de 

                    silêncio azul 

rasgam o fino espaço 

                        do branco

  

Darwin Ferraretto 22/09/06  

Published in: on December 13, 2006 at 10:19 pm  Leave a Comment  

ÊXTASE

farol de ostras silva no zênite

e os servos antagônicos bebem estrelas 

corta-se o mar das certezas

e o leve rumor dos versos mudos

balança as pilastras das sedas importadas 

coral de assombrações

digerem cardumes de mentiras 

e as flores de amanhã deitam-se entre esquinas

o vento das cavernas livra os cometas incautos

num silêncio de olhares trêmulos

caídos no ocaso das meninas 

esquecer as luzes cegas dos mamutes

vazar os olhos amargos das rosas

e embebedar-se no néctar das vulvas 

Darwin Ferraretto 10/10/06

Published in: on December 13, 2006 at 10:18 pm  Leave a Comment  

“uma árvore filosofa portas de vidro”

uma árvore filosofa portas de vidro

e traça nos estômagos laranjas azuis

 

mas como aranhas

brincantes

cai uma janela

                           

                         na orelha

                         das nuvens

 

uma árvore filosofa

              e as pedras poetam

               o Sol

               numa folha de papel

 

Darwin Ferraretto 23/10/06

 

Published in: on December 13, 2006 at 10:14 pm  Leave a Comment  

cotidiano

Existem as manhãs, as noites

a inútil certeza da vida

arranca das nuvens qualquer claridade 

e assim, desaprender a luz

e também as árvores e as pedras 

Existem as verdades, diurnas

brasas inconstantes de palavras

e a água corrente engole serpentes 

e  assim,  morreria deus

numa estrela-do-mar 

Published in: on December 13, 2006 at 10:00 pm  Comments (1)  

II

 

O tempo, estranho silêncio das rodas girantes desvela aos incautos seus medos. A serpente destino repousa sob o orvalho triste do pássaro-lira e queda-se ligeira.  Serena, a artéria pulsa sonhos e pedras. Os homens, estranhos seres, se arrastam, cantam os ouros inatos dos deuses mortos. A vazia lei das noites derrete os escaravelhos, ou a essência da chama arde nos cérebros dos andarilhos. Um passo, somente o passo rumo ao abismo.

Flutua nas entranhas de uma terra devastada, navega  como um barco livre e bêbado de ilusões. As ondas tirânicas açoitam os senhores da terra, encardida em sangue e pus.

A mulher de face oculta e dantesca brada rosas de Hiroshima, os hipocampos vertem raios de sol no basalto. As rotas traçadas apagam-se, os caminhos das terras prometidas perecem como bandeiras sem vento. Outro dia, e a palavra  desconstrói o tempo, arrasta o hercúleo esquecimento das orquídeas. Sombra deste mar, a bacante beija os lábios de um leão esfaimado,  os arquipélagos vaginais clamam estrelas.

O objeto cantarola janelas e os álamos vertem outonos. Um estranho fruto, coagulada loucura das horas, mastiga os seixos do sexo de Paris.

Published in: on December 13, 2006 at 9:58 pm  Leave a Comment  

COSMOGONIA

Os seios azuis da manhã caem entre os vazios das searas. Os dias se desmancham nas lágrimas das víboras que beijam os abutres. Certamente, alguns arautos proclamarão o fim dos tempos, outros as novas eras. As rosas mastigadas da tarde pisoteiam os ataúdes dos profetas enquanto nasce um deus manco, corcunda e caolho. Os dromedários dançam estrelas e as fontes secas rumorejam silêncios nas gargantas.

Os veios do lenho esmaecido desenham horizontes impossíveis na retina do sol e partem para o infinito de uma palavra ainda não escrita. As janelas cantam saudades e uma mulher  nua beija o asfalto rachado dos sonhos.  As cimitarras enegrecidas de sangue antigo choram tulipas e as salamandras rastejam no olho cego de um rei enlouquecido. Uma deusa cria mundos no ventre das gazelas e os rios esmagam as verdades clementes. Os anjos surdos tocam a lira de tripas e rastejam nos calabouços de sons.

Os ventos cerram os cardápios das bodegas e levitam os rinocerontes amorfos em vestes de seda. As púrpuras vozes das lesmas encantam os viciados em quimeras, enquanto os vidros abertos do horizonte serpenteiam ilusões perfuradas.

As bocas: seis riem satisfeitas. Outras sessenta estão cheias. Seiscentas clamam ao silêncio um sonho qualquer. Seiscentos e sessenta e seis bocas. Os zeladores da moral clamam novas regras, os círios acesos das putas crepitam ouros encardidos nas esquinas, as velhas fumam crack na praça da república em meio a passeata incessante dos gays.

Os corpos. Seis corpos esbeltos desfiam orquídeas. Sessenta corpos caminham pedras. Seiscentos corpos mastigam ossos de asfalto. Seiscentos e sessenta e seis corpos.  As vísceras encardidas, os pulmões putrefatos, os cânticos clamados entre dentes inexistentes. Os cegos guiam cães raivosos, os pássaros de ocaso dançam entre as veias arrancadas, nas encruzilhadas assinaladas pelo sangue menstrual das santas.

Published in: on December 13, 2006 at 9:58 pm  Leave a Comment  

ANTROPOFAGIA

A carne esparsa das horas desce na garganta dos melros e sem pressa desenha nas vísceras um por-do-sol. Os ossos das esquinas cerram-se qual zangões de cera, quando os cravos arrancados da lua cativam as línguas das moças.A esfera arcaica dos líquens esmaece os muros e sentencia os doces ares de uma libélula aos claustros dos sonhos. Estes, insanos pedaços de janelas cantam vermelhos lábios de um mar arcaico. As maças enterradas no âmago dos homens, as folhas de sereno de uma aurora de vulvas cativas beijam o horizonte dos cegos.

A carne arrancada dos rubis amarga os ouvidos das ilhas, sem pressa a seda química dos ventos acaricia e chicoteia as pontes dos olhos. Silencia o braço dos  cedros, desatam os nós mudos dos rios, como acarás-bandeiras ou setas de gelo que varam o sol.

O espaço dos magmas, os vales errantes dos seios pulsando entre os dedos da noite arrasam os edifícios arcanos do homem. As páginas da titânica Gaia escrevem em sangue e gozo os pulmões e os rins da fome. A imagem dos cometas bailam em fogo, os pulsares estendidos dos figos devorados, o segredo das bocas arredias engolindo pênis, com o carnaval de cactos e gárgulas no olho vazado da razão. Esta mesma carne cortejada em tambores proféticos, carícias outonais desta terra velha e do pão ázimo dos ventos, floresce nas cortinas embebidas no doce suor das putas, o enxofre dos anjos dilatam  as veias e as pupilas do  sonho.

A carne secretamente devorada pelo tempo…

Published in: on December 13, 2006 at 9:57 pm  Leave a Comment